quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Exportação de gado vivo aumenta 34 por cento

Números surpreendentes no primeiro semestre deste ano

Exportação de gado vivo
aumenta 34 por cento

(Publicado no "Diário Insular" de 5 de Setembro)

No primeiro semestre deste ano, os lavradores dos Açores diminuíram os seus efetivos em mais de 3000 cabeças de gado bovino, relativamente ao mesmo período do ano passado, segundo dados trabalhados pelo jornalista Rafael Cota.
O crescimento é visível no número de animais abatidos nos matadores dos Açores (+ 4,6%), mas sobretudo no gado exportado vivo, uma prática que se vinha reduzindo substancialmente desde que foram construídos os novos matadores da Terceira e de S. Miguel, mas que este ano apresenta uma subida acentuada (+34%).
PORQUÊ?Não foi possível confirmar se este crescimento tem a ver com a necessidade de os lavradores se livrarem de algumas cabeças de gado para diminuir a produção de leite ou se é uma forma de compensarem a quebra de rendimentos que têm registado.
De acordo com os dados distribuídos pelo SREA - Serviço Regional de Estatística, o maior crescimento verificou-se nos bovinos entre os oito meses e os dois anos e sobretudo no que respeita aos animais exportados vivos, na maior parte fêmeas.
Aparentemente, trata-se de redução de efetivos para diminuição da produção.
PODE SER POUCOA questão que muitos lavradores colocam é se esta medida vai ser suficiente.
Há quem ache que a questão central está numa mudança de soluções de maneio e numa produção privilegiando a pastagem.
BAIXO RENDIMENTODe acordo com um relatório da Associação dos Produtores de Leite de Portugal, há lavradores nos Açores cujo custo de produção é, em média, de 20 cêntimos por litro de leite e recebem da fábrica 26 cêntimos, o que significa que têm apenas seis cêntimos de rendimento.
De acordo com dados da RITA (Rede de Informação e Contabilidade Agrícolas) divulgados pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, os lavradores adquirem, em média, por exploração de gado produtor de leite, cerca de 16 547 euros de concentrados por ano, o que tem um peso muito elevado nos custos de produção.
Ao que foi possível perceber, não está a ser fácil convencer os lavradores a optarem por um maior utilização da erva, que é a vocação natural da agropecuária dos Açores e o que mais valoriza os produtos com origem na Região.
As vantagens da opção por erva em alternativa aos concentrados tem vindo a ser explicada, desde há mais de duas décadas, por especialistas em leite e laticínios, mas com pouco sucesso.
A necessidade de encontrar uma vaca alternativa à "preta e banca" também tem sido explicada aos lavradores, mas com idêntico baixo sucesso.

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