quinta-feira, 14 de junho de 2018

Desemprego - europa


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Comercialização de produtos lácteos rendeu 300 milhões de euros


A comercialização de produtos lácteos, incluindo as vendas nos Açores, no continente português e as exportações, rendeu, em 2017, cerca de 300 milhões de euros, sendo que a maior fatia do rendimento provém do queijo e da manteiga. Juntam-se ainda outros produtos, designadamente, iogurtes, natas e soro, que pouco contam em termos de volume e o leite em pó que representa cerca de 16 mil toneladas, mas que tem um valor muito baixo.
A maior parte destas vendas é destinada ao continente português, totalizando 167 mil toneladas, enquanto para os países estrangeiros apenas saem, cerca de 6 por cento. No primeiro trimestre de 2018 a comercialização de produtos lácteos diminuiu ligeiramente, mas as receitas aumentaram, em particular a manteiga que rendeu mais 28%, mas face ao cenário pressente, é pouco provável que os valores globais se alterem.
Há muito que este quadro é conhecido, isto é, as vendas mais significativas vão para o continente português e os produtos com maior rendimento são o queijo e a manteiga.
Também há muito que se coloca em causa a produção de leite em pó, que tem um rendimento muito pequeno, cerca de 2,53 euros o Kg, tendo ainda que ter em conta o custo da energia para a sua transformação. É metade o valor da manteiga e do queijo. Desde há muitos anos que a Região transforma em leite em pó entre 16 mil e 18 mil toneladas, uma quantia que representa hoje à volta  de 7%, uma vez que a produção total de leite praticamente duplicou nos últimos 20 anos.
Naturalmente que a produção de leite em pó se justificará para dar resposta aos picos de produção e porque se trata de um produto com maior tempo de validade, mas representa muito pouco em termos de valor acrescentado.
Mas estas contas vão ter de ser equacionadas agora que se fala numa redução dos apoios à lavoura e portanto indústria e produtores terão que de por mais este elemento no prato da balança, juntamente com outros que têm vindo a penalizar os lavradores, designadamente o custo das rações, dos adubos e dos combustíveis.
O facto é que, apesar de todas as indicações no sentido de reduzir a produção de leite, os lavradores continuam a produzir cada vez mais, de 2016 para 2017 a produção de leite cresceu cerca de 1,5 % e nos primeiros três meses do corrente ano já aumentou 3,1%.
Resta saber se este aumento vai para produtos com maior valor, ou se vai ser transformado em leite em pó que tem um rendimento quase nulo. Há quem afirme que para muitas lavouras, que produzem com grande recurso às rações, muito do leite produzido já não paga os custos, reforçando a ideia de que está na altura de remodelar a agropecuárias, com vacas mais pequenas, privilegiando o uso da pastagem, com menor produção mas também com menor custos.
De resto algumas fábricas já começaram a penalizar os lavradores que ultrapassam determinados limites de produção, mas o discurso oficial continua no sentido de aumentar a produção de leite, com a justificação de serve para compensar o menor rendimento do preço do leite.
Está na altura de fazer ser realista, mudar os conceitos e incentivar, de forma ainda mais intensa a produção de carne e a produção de hortícolas, que podem criar mais empregos e beneficiarão do mercado alargado na restauração, em função do aumento dos turistas.
Mantendo como base a produção de leite, uma nova agricultura modernizada e eficiente, poderá inclusivamente ter interesse no mercado estrangeiro – como já tem a floricultura – aproveitando a imagem que os produtos da marca Açores que já se notabilizaram em muitos setores do continente.


Publicado no "Diário dos Açores" de 13 de Junho de 2018

Inflação


segunda-feira, 11 de junho de 2018

domingo, 3 de junho de 2018

Corvo tem o PIB mais elevado dos Açores e São Miguel mais RSI

 Corvo tem o PIB mais elevado dos Açores e São Miguel mais RSI

No imaginário dos açorianos, há ilhas que têm sido privilegiadas e, portanto, fontes de maior riqueza e outras que têm sido esquecidas, logo mais pobres e com menos rendimentos.
O próprio discurso popular e político frequentemente se refere às ‘ilhas grandes’ e ‘ilhas pequenas’, percebendo-se claramente que não se referem apenas ao tamanho geográfico mas também à sua dimensão económica.
O fenómeno é sentido entre várias ilhas e, por vezes, dentro da própria ilha, quando tem mais de um concelho, mas todas apontam S. Miguel como a ilha com mais investimentos e com mais poder político e económico.
Os números, porém, não confirmam essa ideia.

S. Miguel com as maiores percentagens de RSI

O PIB per capita em S. Miguel não é muito superior ao das outras ilhas - e nem sequer é o mais elevado - e são os concelhos de S. Miguel onde se registam as percentagens mais elevadas de beneficiários do RSI (ainda recentemente se ficou a saber que esse número tem vindo a crescer, não estando esse aumento incluído no gráfico que se publica).
A ideia de que S. Miguel é a ilha com mais poder económico e mais investimento, vem de longa data.
Antes mesmo da autonomia, os terceirenses queixavam-se de que S. Miguel lhes tinha roubado as fábricas do açúcar e do álcool e, depois da autonomia, a ideia volta a sentir-se quando, depois de feitos os portos e outros investimentos estruturais nas ilhas pequenas, os investimentos se voltaram para S. Miguel que, na altura, tinha sido visivelmente penalizada.
Depois, essa ideia foi-se desvanecendo, muito pelo contributo das viagens de jovens que passaram a percorrer as ilhas nas competições desportivas e da generalização das viagens aéreas de membros e funcionários do Governo.
Mas, recentemente, com o crescimento do turismo, onde S. Miguel surge naturalmente com números de visitantes muito acima das outras ilhas e com a operação das low cost, praticamente apenas no aeroporto de Ponta Delgada, a questão volta a levantar-se.
A vincar este cenário, surge a passagem de cruzeiros no porto de Ponta Delgada, com eco especial nos dias em que passaram 5 e 4 barcos, acompanhando-se essas notícias de fotografias e imagens em que se vincava a espectacularidade do cenário e do número de pessoas nas ruas de Ponta Delgada e nos pontos turísticos mais importantes da ilha.

Diferenças com Terceira

Há que reconhecer que o cais construído no porto de Ponta Delgada foi uma obra feliz, quer do ponto de vista estético, criando uma paisagem construída apelativa e foi também uma obra funcional, porque os turistas desembarcam praticamente no centro da cidade, ou têm os autocarros logo à saída, que os levam a passeios onde enchem os olhos e as máquinas fotográficas de paisagens magníficas. Tem tudo para funcionar.
Ora, os terceirenses acham que esse movimento teria sentido, também, pelo menos em parte, em Angra do Heroísmo, podendo oferecer-se o facto de ser cidade Património Mundial e ter também paisagens e lugares de interesse turístico únicos como o Algar Carvão.Tanto mais que a determinada altura chegou a ser prometida a construção de um cais de cruzeiros na cidade, embora poucos acreditassem ser possível e o tempo veio a comprovar que não passou de uma promessa.
Há sugestões no sentido de utilizar o antigo cais de combustíveis dos americanos na Praia da Vitória, mas pouco consistentes e sem garantia de ser uma boa solução.

Porque S. Miguel não tem o PIB mais elevado?

Mas, afinal o que faz com que S. Miguel não tenha um PIB mais elevado e porque tem o maior número de beneficiários do RSI?
Na verdade, quando se fala de S. Miguel em termos económicos e desenvolvimento, fala-se de Ponta Delgada e um pouco da Ribeira Grande, todos os restantes concelhos são mais pobres e têm menos recursos do que muitas das ditas ilhas pequenas.
Ponta Delgada é sede do Governo e vale pelo número de funcionários públicos, as restantes actividades, que poderiam ser fonte de riqueza, empresas públicas e privadas, apesar da sua dimensão, estão a passar dificuldades financeiras e por tal, a sua participação na economia foi ficando reduzida.
Naturalmente que, do mesmo modo a quebra na construção e na indústria foi mais evidente em S. Miguel e fez com que mais gente ficasse sem emprego e mais famílias tenham de recorrer ao RSI.
Acresce que S. Miguel é historicamente uma ilha de grandes desigualdades sociais e com situações de pobreza que já se faziam sentir antes da crise.
A Terceira, por outro lado, teve sempre uma economia socialmente mais equilibrada e durante os anos em que houve emprego na Base das Lajes existia um grande número de trabalhadores com vencimentos acima da média, constituindo um rendimento significativo, com a particularidade de ser dividido por quase todas as freguesias.
Todos os dias vários autocarros transportavam várias dezenas de trabalhadores de quase todas as localidades.
Essa situação contribuiu para esse equilíbrio.
Finalmente, as festas da Terceira - que tanto se critica -, são um importante suporte da economia da ilha, enquanto conseguem fazer movimentar diversas actividades e animam o comércio em diversas áreas. E não são apenas as festas das localidades, são também as festas das cidades de Angra e da Praia que movimentam quantias apreciáveis de dinheiro nos mais diversos sectores.
Apesar dos números, as pessoas não ficam convencidas e continuam a achar que o Governo e outras entidades privilegiam de forma muito evidente a ilha de S. Miguel e cada vez mais se afirma que se está muito longe do desenvolvimento harmónico que se preconizava.
Isto acontece, também, porque o discurso não é o adequado e porque as pessoas que têm poder de decisão conhecem mal as ilhas.
Vêem-nas sempre através dos filtros dos dirigentes, mas desconhecem o que as pessoas realmente pensam.

Texto de Rafael Cota

sexta-feira, 1 de junho de 2018

(Publicado no "Diário dos Açores" de 27 de Maio)
 População empregada aproxima-sedos valores de há dez anos


A população empregada nos Açores,
só agora, se aproxima dos valores
que existiam há 10 anos atrás, uma
situação que é consequência da crise,
mas também do novo quadro nos
sectores que tradicionalmente eram
os criadores de emprego.
No gráfico que se publica, referente
ao total da população empregada,
a curva mostra claramente a descida
da população empregada a partir de
2008 e a recuperação depois de 2013,
para a qual contribuiu significativamente
o sector do turismo, a partir
da liberalização das ligações aéreas.

Turismo absorve
mas ainda é muito sazonal

Essa curva ascendente foi interrompida
no primeiro trimestre do
corrente ano, também, em grande
parte por causa do turismo e serviços,
sinal de que estes sectores ainda têm
uma faixa significativa de empregos
sazonais.
Esse efeito é visível nos gráficos,
quer no que representa o total da
população empregada, quer no que
se refere em particular ao sector do
turismo, onde se regista uma descida
apreciável, depois de, nos anos anteriores,
se terem criado mais de mil
postos de trabalho.
Este fenómeno pode estar relacionado
com alguma prudência dos empresários,
uma vez que o turismo não
crescerá sempre com as taxas que se
têm vindo a registar e, porventura,
também, por falta de qualificação dos
funcionários.
Mas a razão mais provável é que
o sector ainda apresenta uma visível
sazonalidade.

Recuperação depois da crise

Certamente que a época alta trará
nova vaga de visitantes e voltarão a
surgir novos lugares no turismo e atividades
similares, recuperando, certamente,
os valores anteriores.
Mas o fenómeno mais curioso é
que só agora se estão a retomar os
valores de 2008 que foram perdidos
com a crise.
A curva do gráfico mostra que a
população empregada chegou a cair
para os 97 mil, depois foi crescendo
mas, apesar da recuperação de alguns
sectores, no 1º trimestre de 2018, ainda
não tinha atingido os valores de há
dez anos atrás.
Outro fenómeno que caracteriza
atualmente a população empregada é
a exigência de formação que se coloca
para determinadas funções.
Apesar do número de desempregados
os empresários continuam a
afirmar que têm falta de trabalhadores
em determinadas áreas.

Há um novo quadro
na população empregada
nos Açores

Na realidade, durante muito tempo
o crescimento do emprego foi assegurado
pela Função Pública, num determinado
nível, e noutro patamar na
agricultura e na construção, que iam
servindo de “tampão”, assegurando
alguns postos de trabalho evitando
que surgissem grandes perturbações
sociais e sem grandes alterações nos
indicadores do trabalho.
Agora ambos os sectores – agricultura
e construção - estão em crise
e portanto essa complementaridade
deixou de ser verificar.
A função pública também dificilmente
poderá crescer, pelo contrário
a tendência é ser objeto de uma
reestruturação.
Mesmo a inclusão das empresas
públicas não representará um significativo
aumento no sector, já que são
empresas com poucos funcionários.
Em síntese, há um novo quadro na
economia da Região onde só empreendimentos
em novos sectores poderão
criar empregos.
Um deles é, naturalmente, o turismo,
que tem capacidade de criar
empregos directos e de potenciar empreendimentos
em sectores similares
como já está a acontecer em diversas
áreas dos serviços, mas não será suficiente,
porque o turismo não vai crescer
sempre. Vai estabilizar.
Não será, portanto, suficiente para
fazer crescer a população empregada.

Há que remodelar de forma mais
profunda vários sectores, desde logo
a agricultura - que continuará a ser o
sector mais sólido da economia, face
às condições favoráveis das ilhas.

Remodelar o sector

Mas, será necessário proceder a
uma grande remodelações no sector,
complementando com a produção de
carne, de forma ainda mais significativa
e com a agricultura em escala
que possa ser rentável e consiga abastecer
as grandes superfícies e fornecer
localmente os restaurantes a preços
competitivos, produtos que possam
ser consumidos pelos turistas, o que
corresponderá uma forma de exportação
muito significativa.
Será necessário melhorar o transporte
marítimo e aéreo de mercadorias
entre as diversas ilhas para que
existir um mercado interno mais eficiente
e com menos custos.
Muitas das medidas para alargar a
criação de empregos, não resultarão
apenas da injecção de dinheiros e da
concessão de subsídios, mas da mudança
de conceitos.


Texto e gráficos de Rafael Cota
Para “Diário dos Açores”

quarta-feira, 30 de maio de 2018

sexta-feira, 18 de maio de 2018

quinta-feira, 17 de maio de 2018

domingo, 29 de abril de 2018

Taxa de juro no crédito à habitação

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação fixou-se, em Março em 1,025%. A prestação média vencida manteve-se em 239 euros.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

quinta-feira, 19 de abril de 2018

segunda-feira, 16 de abril de 2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Transportes Aéreos (actualizado)


Quebra na Construção Civil prejudica economia e tem graves consequências sociais


Publicado no "Diário dos Açores" em 11 de abril de 2018


A construção civil nos Açores, que estará em debate, dia 13, por iniciativa da Ordem dos Engenheiros da Região Autónoma dos Açores, registou uma das quebras mais acentuadas, nos últimos tempos, com reflexos na economia e consequências sociais nas famílias de menores recursos.
Se olharmos para os números podemos ver que a construção já chegou a empregar cerca de 20 mil pessoas, estando neste momento com pouco mais de sete mil, depois de uma ligeira subida, com o desagravar da crise. Mas é nos números referentes aos Valor Acrescentado Bruto, que esta quebra é mais visível, uma vez que chegou a representar 8,7 % do total do VAB dos Açores e hoje está 3,6%, ou seja cerca de um terço.
Uma parte desta quebra é, sem dúvida, consequência da crise, que afetou o país e a região, mas há quem seja de opinião que existem causas de natureza administrativa e política que contribuíram, de igual modo, para que este decréscimo.
A construção civil não tem efeitos apenas na economia, tem também reflexos nos sectores sociais mais débeis de onde saem muitos dos trabalhadores, com consequências no agravamento das situações de pobreza.
Muitos dos trabalhadores que ficaram desempregados por força da diminuição da atividade da construção e do consequente encerramento de empresas foram compensados pelo subsídio de desemprego e pelo rendimento social de inserção, garantido de algum modo a subsistência das famílias. Mas, é diferente viver de subsídios ou ter um trabalho.
Essa terá sido uma das causas que contribui para o facto de os Açores serem a região do país com maior taxa de beneficiários do RSI. Em finais de 2017, no conjunto do arquipélago, 11.649 indivíduos recebiam Rendimento Social de Inserção, sendo a maior parte nos concelhos de S. Miguel, com valores entre 10 e 13%, em particular no concelho da Ribeira Grande com 20%, pela situação de Rabo de Peixe.
O presidente da Junta de Freguesia de Rabo de Peixe, Jaime Vieira, reconheceu, em declarações ao Diário de Notícias de Lisboa que “o desemprego que se tem vindo a acentuar, devido à crise na construção civil e à perda de rendimentos na pesca constituem dois dos fatores que levam a um maior número de beneficiários”.
Hoje, é bem evidente que a quebra na construção civil é responsável por muito do desemprego que é sentido de

modo particular nas localidades mais desfavorecidas.
Muitos se interrogam sobre as causas desta situação. Naturalmente que a crise e as dificuldades da banca em conceder crédito à habitação são a causa mais evidente, que atravessou, de resto, todo o país.
Mas, o facto é que esta descida começou antes da crise e apesar de se notar uma ligeira recuperação na população empregada e na venda de cimento, não é ainda visível na criação de riqueza nem alterou o Valor Acrescentado Bruto, sentes sector.
Os empresários queixam-se de duas situações. Por um lado, a sugestão de privilegiar as empresas regionais nunca teve o devido eco nos departamentos governamentais nem nas autarquias, e a própria Associação representativa dos empresários quase não se ouviu.
Mas, para os empresários, o mais grave foi o lançamento de projetos com valores muito baixos, quase ao preço do custo, obrigando os empresários a aceitarem as empreitadas para manterem as empresas em funcionamento, mas as pequenas empresas, que faziam subempreitadas, essas não conseguiram sobreviver a esse esmagar dos preços e levaram muitos trabalhadores ao desemprego.
Ao que se diz os departamentos governamentais e as câmaras estariam a tentar com “essa economia” fazer mais obras. Podem até ter construído mais uns metros de estrada, mas isso contribuiu para uma maior perturbação social em várias ilhas.


Texto e gráficos de Rafael Cota, para Diário dos Açores

sexta-feira, 9 de março de 2018

PIB dos Açores cresce mas afasta-se da média nacional e europeia

Publicado no "Diário dos Açores" de 09 de Março de 2018 


O PIB dos Açores, registou um crescimento de 1,8% em volume, no ano de 2017, um valor superior ao registado nos anos anterior que foi de 1,6%, mas inferior à média nacional que chegou aos 2,7%
O crescimento do PIB nos Açores tem a ver com o aumento verificado na maioria dos indicadores ao longo do ano de 2017. O licenciamento de obras, cresceu cerca de 6,7 por cento, a venda de cimento (22,2 por cento), a pesca descarregada (10,7 por cento), a venda de automóveis novos (7,3 por cento) e o turismo registou um crescimento de 18,5 por cento, com significativos incrementos nos setores associados. Até a construção apresentou um ligeiro crescimento e pode, ainda, juntar-se, no capítulo dos resultados positivos, as exportações que aumentaram 8,8%.
Registaram-se quebras apenas no abate de bovinos, suínos e aves que se refletiu no comércio com o exterior.
A nível nacional o PIB, em 2017, cresceu de 2,7%, portanto um valor superior em 0,9 pontos percentuais relativamente ao arquipélago. O crescimento a nível nacional ficou, fundamentalmente, a dever-se, segundo o INE, ao aumento das exportações e ao crescimento da procura interna.
Vendo o gráfico da evolução homóloga do crescimento do PIB nos Açores e a nível nacional, verifica-se que as curvas têm andado muito próximas, ao longo dos anos e em alguns momentos com os Açores a apresentar valores superiores ao nacional.
Todavia os aumentos que se têm verificado a nível regional e o desempenho favorável de alguns sectores, não têm sido suficientes para acompanhar o ritmo do país e nesse sentido, o PIB dos Açores que já foi de 91% da média nacional, em 2009, 2010 e 2011, em vez de se aproximar, foi diminuindo e em 2016 – últimos dados conhecidos -- estava nos 89%. O mesmo acontece na comparação com a média europeia que chegou a ser de 74% e em 2016 estava em 69%.
Os valores agora divulgados relativos a 2017 mostram que esta diferença vai, certamente, permanecer.
Este afastamento tem a ver, em muitos casos com fatores que não dependem da política regional, como é o caso da carne e dos lacticínios, que cada vez mais têm maior dificuldade de competir com outros países ou das pescas, que dependem da natureza.
No caso do turismo com um crescimento muito significativo e fazendo crescer muitos sectores associados, também não tem tido grandes efeitos, porque os vencimentos são muito reduzidos e isso tem influência na  valor acrescentado que o sector poderia representar.
Segundo cálculos do INE, o salário médio líquido pago pelas atividades de alojamento, restauração e similares, a nível nacional, no ano passado, não foi além dos 632 euros. É natural que situação semelhante se passe a nível dos Açores.
Esta onda de turismo deve ser aproveitada pelos empresários como uma oportunidade, sem exploração para os turistas, para não criar imagens negativas, nem para os funcionários para que o sector possa progredir com qualidade.
Outro sector a apostar é o da indústria, “deixando o chavão redundante da qualidade”, mas também apostando também em quantidade que tenha uma dimensão crítica – porque qualidade é já uma exigência de princípio em qualquer mercado – e que traga mais valor acrescentado, quer no consumo local quer nas exportações que têm dado bons resultados a nível nacional.
A procura de produtos locais também pode ser estimulada, quer nos habitantes, quer na restauração, porque servir produtos regionais aos turistas é uma forma de exportação, que pode permitir volumes e ganhos mais significativos a quem se dedica à produção e dar dimensão a empresas de outros sectores.
E neste particular as políticas governamentais são determinantes.