sexta-feira, 17 de março de 2023
quinta-feira, 9 de março de 2023
sábado, 18 de fevereiro de 2023
Censos 2021 - População Empregada
Censos 2021 indicam menos cinco mil
pessoas empregadas nos Açores
Os resultados definitivos dos censos 2021 apresentavam, à
data da sua realização, menos cerca de 5000 pessoas empregadas do que o
Inquérito ao Emprego, na mesma altura, ao mesmo tempo que indicavam mais
2500 pessoas na indústria e construção e menos 6700 empregados no sector dos
serviços.
Essa diferença, que depois em termos percentuais não é tão significativa, resulta do método utilizado.
Enquanto o Inquérito ao Emprego é feito a partir de uma amostra da população,
seguindo metodologia adequada, que permite obter valores bastante aproximados e
com um grau de confiança significativo, no caso dos censos, as entrevistas são
feitas ao total da população, permitindo um quadro mais exato relativamente ao
mercado do trabalho.
Os censos visam exatamente mostrar um vasto conjunto de
dados estatísticos oficiais que permitem melhorar o conhecimento do país,
através da caracterização da população e do respetivo parque habitacional,
designadamente no que se refere à população empregada em números, em sexo e nas
funções exatas que desempenham.
Quase metade dos empregados são mulheres
No caso do emprego podemos ver que, à data da sua
realização, existia, nos Açores, uma população empregada de 105 396
indivíduos, sendo 55.469 indivíduos do sexo masculino e 49 927 do sexo
feminino, bem diferente da situação que registava em décadas anteriores.
Verifica-se que a administração pública é o sector que
emprega mais gente, no total 16 138 cidadãos, totalizando cerca de 38 mil, se considerarmos o conjunto da
administração pública, educação, saúde
humana e apoio social.
Segue-se o sector dos serviços que engloba atividades
relacionadas com o comércio por grosso e a retalho, armazenagem, atividades da
rádio e da televisão, publicidade, programação informática, intermediação
monetária, seguros, atividades imobiliárias, consultoria de negócios e gestão,
atividades veterinárias, agências de viagem, aluguer de automóveis e serviços
de limpeza. Estão, ainda, incluídos neste sector o turismo e empresas
relacionadas.
Por sectores de atividade o sector primário representa
7% do mercado do trabalho, o secundário, que inclui a indústria e construção,
16% e o terciário, a maior fatia, com 77%.
Estes dados, permitem ainda conhecer alguns aspetos particulares, relativamente ao mercado de trabalho. Por exemplo, na rádio trabalham 46 pessoas, sendo 24 homens e 22 mulheres, a televisão emprega 109 funcionários, sendo 42 mulheres e 67 homens.
Na pesca trabalham 1146 homens e 146 mulheres, que ajudam normalmente nos preparativos em terra, nos restaurantes trabalham 1164 homens e 1835 mulheres, no transporte aéreo 682 homens e 466 mulheres e nas agências de viagem 207 homens e 307 mulheres.
Conhecer o país real
Os censos, realizados de 10 em 10 anos, visam recolher dados estatísticos que permitem melhorar o conhecimento do país, através da caracterização da população e do respetivo parque habitacional.
Os censos 2021 foram feitos, na maior parte, através de suporte informático, tendo algumas entrevistas sido realizadas já em 2022, mas os dados reportam-se a 19 de Abril de 2021, data definida como momento censitário. Os principais dados definitivos foram apresentados em 23 de Novembro de 2022, tendo alguns estudos particulares sido divulgados mais tarde. É o caso de uma análise da população nacional estrangeira que foi divulgada a 19 de Dezembro de 2022 e um estudo das estruturas familiares, caracterizando os agregados domésticos privados, que foi apresentado a 24 de Janeiro de 2023.
Em 8 de Fevereiro foi divulgada uma publicação sobre o parque habitacional nas suas diversas dimensões, nomeadamente ao nível das características dos edifícios e dos alojamentos, das necessidades de reparação, da forma de ocupação, regime de propriedade e dos encargos com a habitação.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
Desemprego
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
Taxas de juro continuam a subir
Juros sobem em flecha e arrastam prestação da
casa
As taxas de juro que servem de base ao
cálculo da prestação do crédito à habitação estão a subir há mais de um ano. E
estão a fazê-lo a uma velocidade nunca antes vista. A Euribor a
12 meses, por exemplo, passou de valores negativos até março para estar hoje a
negociar acima dos 3,3%.
A principal causa desta situação é a subida
da taxa de inflação na zona euro, que obrigou o Banco Central Europeu (BCE) a
subir as taxas de juro, levando as instituições de crédito a actualizarem as
prestações.
Em Dezembro de 2022 o valor da taxa de juro
implícita no crédito à habitação atingiu os 1,898%, fazendo com que o valor
médio no total dos empréstimos esteja agora nos 299 euros. Desde o início do
ano passado, a história tem sido sempre esta e se a Euribor a três meses
já aumentou quase dois pontos percentuais, a Euribor a seis meses, a mais
utilizada no crédito à habitação em Portugal, já leva uma subida de mais de 2,5
pontos percentuais. A mesma taxa, a 12 meses, aumentou mais de três pontos
percentuais desde janeiro.
Os valores apresentados no gráfico
referem-se a valores médios, no conjunto dos empréstimos no total do país.
Simulações feitas, no mês de Novembro referentes a casos concretos, utilizando
exemplos para a Euribor a 6 meses, a 30 anos, pode ver-se que, numa prestação
de 100 mil euros, estando a pagar à volta de 307 euros vai passar a pagar
aproximadamente 421 euros, o que corresponde a um aumento de cerca de 114
euros.
Para um empréstimo de 150 mil euros,
estando a pagar 461 euros, passará para 632 euros o que representa um aumento
de 170 euros.
Noutro exemplo, mais recente, apresentado
pelo jornal online “ECO”, pode ver-se que um empréstimo de 150 mil euros a 30
anos, indexado à taxa Euribor a 12 meses com um spread de 1,2%, apresentava uma prestação de 462 euros em janeiro
do ano passado e hoje, após a revisão da taxa de juro no final de dezembro, a
prestação subiu 59%, para 736 euros.
Estes exemplos são apenas indicativos, uma
vez que existem diversas variantes, designadamente a taxa de esforço e regras
definidas pela instituição bancária.
Como se vê no gráfico relativo aos valores
médios, os bancos estão a diminuir o capital amortizado e a aumentar os juros,
para amenizar o total das prestações.
Acesso ao crédito mais difícil
O acesso ao crédito torna-se mais difícil nestas condições, já que, quanto maior for a subida das taxas de juro, menor será o montante que os bancos estão autorizados a emprestar aos consumidores. Ou seja, com o aumento do valor dos juros, a prestação para um mesmo nível de financiamento sobe, o que significa que o seu peso sobre o rendimento mensal dessa família será superior. Como, desde 2018, os bancos devem garantir que, no momento da concessão do crédito, a taxa de esforço das famílias não ultrapasse os 50% do seu rendimento, com o aumento das taxas de juro, respeitar este limite implica diminuir o montante financiado.
Renegociar o crédito
Segundo os economistas que se dedicam a
estas questões para mitigar o impacto da subida das taxas de juro, as famílias
podem tentar renegociar o crédito à habitação junto do banco através de uma
revisão do spread e dos seguros, optar pelo diferimento do capital e/ou alongar
a maturidade do contrato.
Mas, dizem, nenhuma solução tem maior
impacto no bolso que a amortização da dívida. Uma amortização de 20 mil euros
num empréstimo de 150 mil, significaria uma imediata redução de 98 euros na
prestação mensal da casa.
BCE poderá voltar a aumentar os
juros
Segundo um estudo da Economist Intelligence
Unit (EIU), divulgado esta semana e publicado no jornal “Dinheiro Vivo”, o
aperto monetário em curso pode despoletar uma nova vaga de stress
financeiro, com contágio a vários países do sul da Europa, em concreto "os
mais endividados".
Segundo os especialistas, o BCE, que é
presidido por Christine Lagarde deve, quase de certeza, aumentar novamente
taxas de juro na reunião do dia 2.
Portugal nunca é referido directamente no
estudo. Ultimamente, o país tem sido algo elogiado por estar a conseguir
reduzir o défice e a dívida pública, ao mesmo tempo que tem mostrado alguma
resistência contra os efeitos da crise inflacionista e energética.
Publicado no "Diário Insular" e "Diário dos Açores"
1 de Fev 2023
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